Ata da aula 06/05

Música

Notícias

  • As discentes Katia Araujo e Luciana Mendonça trouxeram a notícia que a plataforma Whatsapp passou a permitir transferências de dinheiro e pagamento de taxas;
  • Lemos, apresenta os principais preceitos da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), dentre eles o uso de dados pessoais como CPF e número de telefone não pode ser utilizado sem autorização do indivíduo;
  • Lemos, questiona sobre os dados que fornecemos de formas voluntária e involuntária e da opacidade das empresas possuem sobre nós, seu gerenciamento e se elas compartilham com terceiros;
  • A LGPD obriga as empresas a possuir um diretor de proteção de dados que responderá judicialmente em caso de vazamentos;
  • O Brasil foi o último a adotar uma lei de proteção de dados, lembra Lemos. O governo brasileiro tem utilizado a própria LGPD como justificativa para não fornecer dados do governo, além de relativizar o marco civil da internet;
  • Lemos, recomenda a página do Twitter do Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Carlos Affonso Souza (@caffsouza) para quem tem interesse em se aprofundar em direito e proteção de dados pessoais;
  • A notícia do jornal Nexo “O que está em jogo quando você dá seu CPF na hora da compra” foi trazida por Lemos para questionar a prática de solicitar o CPF aos consumidores das farmácias. O professor afirma que devemos contestar a quem damos nossos dados;
  • O discente Marcelo Costa traz o exemplo dos supermercados que aumentam o valor dos produtos e obriga os consumidores a baixar o aplicativo do estabelecimento para ter acesso a valores menores dos produtos. Lemos, pontua que esta é uma prática disciplinar que condiciona o usuário a colocar os dados para receber algo em troca.

Discussão

  • O tema da discussão da aula foi “Privacidade e Vigilância”, que se desenvolveu a partir do capítulo “O panoptismo” do livro Vigiar e Punir de Michel Foucault.
  • Lemos, explica que a noção de liberdade na cultura digital é diferente da estrutura de vigilância panóptica identificada nas câmeras de vigilância;
  • O surgimento de tecnologias de inteligência artificial modifica noções como liberdade e o papel do trabalho humano. Será que iremos ser substituídos por máquinas com inteligência artificial?
  • Para Lemos, não podemos abrir mão dos dados, das máquinas e dos profissionais. Existem trabalhos que não precisam ser executados por humanos e outros que podem ter como aliados as IA.
  • Ao questionar se existe uma inteligência que não seja artificial, Lemos argumenta que a inteligência humana é produzida a partir dos artefatos técnicos e só pensamos com os outros.
  • Lemos, explica a diferença entre controle (governo), monitoramento (observação com objetivo de acumular informação para construir cenários históricos) e vigilância (comportamento atencioso, zeloso e intencional para reunir informações pessoais).
  • Lemos, utiliza o conceito de sujeito inseguro de Mireille Rosello no qual as câmeras de vigilância criam;
  • Moura, argumenta que Foucault explica em sua obra como se formaram os primeiros dispositivos disciplinares inicialmente a partir da peste bubônica que aconteceu em Londres no fim do século XVII
  • Moura, aponta que Foucault delimita dois tipos de disciplinas: a) disciplina bloco da instituição fechada que estabelece a disciplina por meio de uma ação direta e personificada em um sujeito disciplinador e; b) a disciplina-mecanismo constituída por uma disciplina que é exercitada cotidianamente pelos sujeitos.

ATA DA AULA 29/04

Músicas

Notícias

  • Lançamento do tênis digital da Gucci que utiliza NFT como certificado de originalidade;

Discussão

  • O tema da discussão da aula foi “Política e Internet” que se desenvolveu a partir dos textos Ciberativismo, cultura hacker e o individualismo colaborativo de Sérgio Amadeu da Silveira e Ciberpolítica de Francisco Paulo Jamil Marques;
  • Lemos começa a discussão explicando a história do surgimento do computador pessoal a partir da Apple e Microsoft que popularizaram este tipo de máquina;
  • Lemos afirma que o Brasil foi um pioneiro na discussão sobre os softwares livres;
  • Citando Bruno Latour, Lemos explica que a política é a circulação de palavras que deve ser utilizada para o bem comum e explicita a importância de uma imprensa livre;
  • Para Lemos a democracia moderna é fruto dos dispositivos da lei. Portanto, a lei não é mais o que um rei diz, mas o que está escrito na lei (nómos)
  • A popularização da leitura com a prensa de Gutenberg possibilitou os questionamentos das leis pela leitura e interpretação. Sobretudo, no aparecimento da imprensa há a formação de um público e da opinião pública;
  • A internet amplia as formas de participação redefinindo o espaço público. Acima de tudo, a circulação da palavra foi ampliada;
  • As mídias massivas e pós-massivas agenda e enquadra a informação para controlar a narrativa a seu favor;
  • As Fake News é um problema político específico das redes sociais;
  • Para Lemos, os algoritmos presentes nas redes sociais e seu regime de visibilidade fez emergir as Invisible News, no qual, aquilo que não aparece ou não circula não é agendado;
  • Lemos questiona o papel do jornalismo que compactua com as lógicas de produção de informação das plataformas no qual circulam e impulsionam informações que os algoritmos acham que as pessoas querem ver. No entanto, a função do jornalista não deveria dar as informações que as pessoas querem ver, mas o que deve ser visto;
  • Lemos contesta a neutralidade do código. O código é uma forma de escrita, por este motivo possui enviesamentos. As máquinas são preconceituosas ou é a maneira como os bancos de dados e os códigos são construídos que produzem preconceitos?
  • Os estudos de geologia das mídias são pouco explorados pelo campo da comunicação segundo Lemos. O que fazemos com os produtos que não funcionam mais?
  • Lemos levanta o debate sobre a quebra da neutralidade da rede e traz como exemplo os pacotes de internet que restringem o acesso do usuário a algumas plataformas como o Facebook e Whatsapp. Nestes casos, a internet passa a funcionar como uma TV a cabo que possui um número de canais limitados;
  • Para Lemos, as plataformas são máquinas de captação de dados que podem mensurar emoção, atenção e as decisões políticas.  Com os escândalos cada vez mais comuns de vazamento de dados, a noção de privacidade deve ser questionada para além de um direito individual.

Ata da Aula 22/04

Música

  • Bjork – Biophilia é o primeiro “álbum de estúdio no formato de aplicativo” no mundo. O álbum foi realizado em um iPad, oferecendo uma série de aplicativos para este. Björk descreveu o projeto como uma coleção que engloba música, aplicativos, internet, instalações e apresentações ao vivo. Cada faixa descreve um tipo de fenômenos naturais e cósmicos. Mais informações: https://pt.wikipedia.org/wiki/Biophilia.

Notícias

  • Estabelecendo um link com o dia da terra, Lemos explica quando o antropoceno surgiu e sucedeu o holoceno como período geológico no qual o humano tem modificado o ambiente e o clima da terra. Lemos cita o slogan “zadista” no qual afirma que “somos a natureza que se defende” em contraponto ao pensamento que é o homem que defende a natureza.
  • A luta é pela permanência da existência da espécie humana. O discurso ambientalista comum coloca o humano na linha de frente da defesa da natureza.
  • Lemos cita uma parte do seu livro Objetos da Bahia no qual o repórter fictício Francisco Pimenta, entrevista um coco que critica a visão antropocêntrica do entrevistador.
  • A discente Sarah Cardoso trouxe a notícia de que a união europeia passa a limitar o uso de inteligência artificial;
  • Lemos recomenda o programa que realizou na rádio Metrópoles.

Discussão

  • O tema da discussão da aula foi “Cibercultura. Desafios Atuais!” que se desenvolveu a partir dos textos “Dobras tecnológicas do tempo na Bahia” e “Desafios atuais da cibercultura” de André Lemos;
  • Lemos aborda as diferenças entre as questões regionais e temporais da sua experiência com os meios de comunicação e as dificuldades de acesso à informação do período massivo ao pós-massivo em Salvador/ BA;
  • Para Lemos, aumentamos a possibilidade de produção de vozes. Há 40 anos atrás não existia muita escolha na dieta informativa;
  • A internet nasceu na universidade através da microinformática. Neste primeiro momento, o protocolo TCP/IP era gratuito. Quem utilizava a internet eram os engenheiros militares. Para os estudiosos, a internet tinha uma potência emancipador que construiria uma inteligência coletiva;
  • A potência emancipatória da internet não acabou, no entanto, coabitam os processos de PDPA (Plataformização, Dataficação e Performatividade Algorítmica), acrônimo desenvolvido por Lemos para explicar as novas dinâmicas da Cultura digital que possibilitaram o controle da circulação de informação;
  • Lemos explica com base na obra The Platform Society dos autores Thomas Poell, Martijn De Waal, José van Dijck, como as plataformas são as novas infraestruturas. As plataformas mediam o fazer humano e se alimentam dos dados que são produzidos no seu uso;
  • Para Van Dick e colegas, os algoritmos, modelos de negócio e as APIs são os principais aspectos a serem analisados nas plataformas;
  • As plataformas são ancoradas em infraestruturas concretas (data centers, cabos de fibra óptica, satélites etc.);
  • A partir do seu recente trabalho denominado Dataficação da Vida, Lemos explica como a prática de coleta, análise e compartilhamento de dados tem interferido na vida social, no conhecimento e na natureza;
  • A dataficação permite a produção de cenários presentes e futuros por meio da captação das práticas dos usuários. Os múltiplos aspectos do mundo têm sido quantificados (performance, sentimentos, trocas de informação e atividades);
  • Embasado no livro How We Became Our Data A Genealog de Colin Koopman, Lemos argumenta que os dados nos produzem pragmaticamente através dos formulários e questionários que assinamos. Nesta perspectiva, o que não é dataficado não existe pragmaticamente;
  • Lemos compara o termo Algocracia utilizado por Taina Bucher com o termo Epistocracia. O primeiro caracteriza um governo guiado por dados no qual uma elite que conhece os códigos baseia-se na neutralidade dos algoritmos para planejar e executar ações públicas. O segundo termo caracteriza um governo guiado pelo conhecimento científico;
  • Por fim, Lemos explicita que devido à dificuldade de explicar precisamente o que os algoritmos fazem fazer nas plataformas. Contudo, devemos questionar a falta de transparência destas infraestruturas.

ATA DA AULA 15/04

Músicas

Notícias

  • O discente Nalberte Antonino trouxe para a aula a notícia de que foi negada a formação do sindicato de trabalhadores da Amazon.
  • A discente Laiz Rocha abordou sobre a criação do Sticker dedicado a data sagrada do Ramadan no Instagram. A figurinha tem sido utiliza para fins além do culto religioso, gerado um debate sobre a veiculação de conteúdos preconceituosos sobre a cultura islâmica;
  • A discente Katia Araujo falou sobre a estreia da Coinbase na Nasdaq. As criptomoedas permitiram a descentralização da moeda. Os bancos em resposta ao surgimento criptomoedas criaram as suas próprias moedas criptografadas;
  • Lemos recomenda o vídeo “aNFTaMINA MAD: do pós-dinheiro à mineração de arte digital” promovido pelo LAB404 no Youtube que aborda assuntos como criptomoedas, blockchain e NFT, no qual o professor Gilson Schwartz compara o funcionamento das moedas digitais e o certificado digital NFT;
  • O discente Diego Haasen informa que o Instagram traz de volta o número de curtidas nas postagens;
  • Os planos de dados das operadoras limitam o acesso a plataformas como o Whatsapp e Facebook, um ambiente propício à circulação de desinformação no qual os consumidores não conseguem conferir a fonte da informação. Segundo Lemos, a neutralidade da rede é comprometida ao se privilegiar o acesso a algumas plataformas.

Discussão

  • A discussão da aula se desenvolveu a partir do texto “Paradoxos da teleinformática” de Weissberg, J-L;
  • A mudança de paradigma proporcionada pelas teletecnologia tornou incontornável pensar a cultura sem essas tecnologias;
  • O autor critica a cultura imaterial, veloz e instantânea da modernidade. Dito isto, a teleinformática não faz senão reeditar, prolongando mecanicamente os efeitos das revoluções tecnológicas anteriores;
  • O deslocamento da presença à distância tenciona nossa relação com o território nas teletecnologias;
  • Paradoxalmente a importância da localização geográfica é reforçada e não obliterada pelas teletecnologias;
  • WEISSBERG dá o exemplo das empresas de tecnologias que se encontram próximas em um mesmo território. Portanto, o espaço urbano continua organizado setorialmente, demonstrando uma continuidade da importância do território para a localização espacial;
  • A internet facilitou o surgimento de sistemas de informações geográficas que espacializaram da informação;
  • O GPS organizou a visualização da evolução temporal de uma situação no espaço (visualização da situação do trânsito, engarrafamento, posição de deslocamento de um ônibus em relação ao ponto de ônibus);
  • O Texto Critica o pensamento do território colonizado pelo universo informacional que oblitera o espaço físico. Contudo, para o autor o que há na verdade é um híbrido território/espaço informacional;
  • A presença deixa de ser necessariamente territorial, pois estar junto fisicamente não significa estar presente;
  • A internet começa como um intermediário que não muda o curso da ação e não interfere diretamente na comunicação;
  • Os motores de busca simbolizam o aparecimento de uma mediação automatizada;
  • A programabilidade da interação nas teletecnologias modelam o fluxo de atores independentes que não necessariamente tem o objetivo de melhorar a comunicação. Moura destaca o exemplo das mídias programáticas que desenvolvem fluxos de conteúdo para prender a atenção dos usuários;
  • As mídias programáticas rompem as objeções e limitam a decisão para tornar possível a interação entre tecnologia e usuário;
  • Para concluir, WEISSBERG indica que com a supressão dos intermediários gera o aparecimento de mecanismos mediadores. O marco desta argumentação está no surgimento dos motores de busca;
  • Os humanos para participar do mundo destas tecnologias precisam jogar o seu jogo procedimental a partir de suas lógicas.
  • Lemos recomenda o livro “Produção de presença: O que o sentido não consegue transmitir “de Hans Ulrich Gumbrecht;

ATA DA AULA 08/04

Notícias

  • A discente Ana Carolina trouxe para aula a notícia de que o Tiktok está limitando o acesso de criança menores de 16 anos a sua publicidade. O debate focou na proibição de publicidade para menores de idade no Brasil.
  • O tirocinante Thalis Moura deixa como recomendação a série Coded Bias da Netflix que discute as tecnologias de reconhecimento facial e racismo algorítmico. 

Discussão

  • O tema da discussão da aula foi “Redes. Utopia e Topia” que se desenvolveu a partir do texto “A Filosofia da Rede” de Pierre Musso. Lemos, afirma que o texto ajuda a compreender o tripé básico da disciplina: rede, comunicação e tecnologia. 
  • Introduzindo a discussão, Lemos reflete sobre o momento anterior a plataformização e o início da internet na Usenet que funcionava por comunidades temáticas no qual a interação ocorria de forma linear sem a interferência direta dos algoritmos.
  • O conceito de rede é inicialmente vinculado ao corpo humano. Uma metáfora do funcionamento das veias que se comunicam e escoam uns nas outras.
  • A ideia de rede é transportada para fora da estrutura do corpo e passa a funcionar para estruturas sócio-técnicas na modernidade. A rede se exterioriza como artefato técnico. Ela sai do corpo e se associa aos objetos. Pierre Musso indaga se é a rede que está dentro do corpo ou o corpo que está dentro da rede!?
  • A partir de então, a rede é pensada como uma ordem formalizada que a teoria matemática colocará em evidência como um modelo racional previsível.
  • A parte infra-estrutural é o caráter utópico da rede, por tornar possível o transporte de pessoas a escalas espaço temporais diferentes, ampliando o campo potencial de atuação do homem.
  • A rede passa a ser considerada como um modelo controlável e contornável. Debates ambivalentes sobre as possibilidades de controle e de fazer circular aparecem.
  • A rede é encarada pelo ponto de vista utópico como um mecanismo de mudança social a priori.
  • A infra-estrutura utópica da rede vai de encontro ao interesse financeiro dos empresários. A discussão caminha ou para a circulação total dos utopistas da rede ou para a vigilância ubíqua do mercado.
  • A partir disso, Musso apresenta um paradoxo. O conceito de rede pensado como mudança social, tornou-se um meio de não mais pensar na própria rede. Vira-se um fetiche. Não se paga o pedágio das conexões das redes. Ou se pensa a rede como mudança social ou na sua instrumentalização para fins de controle.
  • Lemos questiona o que as pessoas buscam de fato na internet.  Discutiu-se sobre como a rede cria possibilidades e a probabilidade da comunicação reafirmando as ideias do sociólogo Niklas Luhmann. O Topos da rede não é a potência da sua infra-estrutura montada, mas a atualização dessa potência a partir da associação dos atores nesta infra-estrutura.
  • Moura indaga sobre como as plataformas têm pendido mais para o controle do que para a liberdade da circulação da informação de forma horizontal baseando-se na obra de José Van Dick. A granularidade deste controle se estende para fora das grandes plataformas e se espraia para plataformas setoriais através das APIs.

ATA DA AULA 01/04

Notícias

  • A primeira notícia trazida na aula pelo professor André Lemos foi sobre as mudanças da voz feminina como opção de fábrica do assistente vocal da Apple. André questiona o motivo da voz feminina vir como padrão nos assistentes digitais.
  • A segunda notícia trazida pelo professor é a possibilidade de restrição das interações indesejadas nos comentários do Facebook. Lemos indaga se uma figura pública pode limitar quem pode ter acesso aos seus comentários.
  • Lemos deixa como recomendação a série Borgen da Netflix que discute as relações entre a esfera pública e comunicação de massa.

Discussão

  • O tema da discussão da aula foi “Tecnologia como Mediação. Redes e Redes Sociais” que se desenvolveu a partir do texto “Estudo das Técnicas na Perspectiva das redes de atores” da pesquisadora Marcia Oliveira Moraes. Lemos afirma que o texto é um pontapé inicial para uma discussão futura sobre rede na disciplina. 
  • A rede é um ator nela mesmo e constitui as ações sobre as coisas. Para Latour a rede é uma expressão para avaliar quanta energia, movimento e especificidade os relatos sobre os atores conseguem incluir.
  • Marcia Oliveira Moraes desenvolve a ontologia da Teoria Ator-Rede (ANT) em sua obra. Nas palavras de Lemos, não existe essência e sim existência. A ontologia laturiana determina que existimos a partir da nossa conexão com os outros e só entenderemos o humano a partir do entrelaçamento com as coisas.
  • O exemplo dado pelo professor André Lemos é o funcionamento do contágio dos vírus que apenas sobrevivem através do corpo hospedeiro.
  • Os conceitos de mediador e intermediário permitem distinguir o curso da ação localizando-o em um evento.
  • Os humanos delegam ações aos objetos técnicos, por este motivo, devem ser encarados como mediadores segundo Lemos. Reafirma-se o exemplo do quebra-molas utilizando por MORAIS, 1997, no qual é “constituído de cimento, concreto, asfalto, mas ele é também marcado por legislações de redução de velocidade, reitores, alunos, em suma, ele é ao mesmo tempo técnico, material e social; trata-se de um dispositivo sócio-técnico”.
  • Na ANT os objetos aparecem quando algo quebra e desestabiliza a rede no qual está inserido. Lemos utiliza o exemplo no navio de carga encalhado no canal de Suez que parou grande parte do comércio internacional trazendo à tona as causas dos possíveis problemas do encalhamento e a história da construção do próprio canal.
  • No entanto, para Lemos, a rede não é instável o tempo todo e é inviável para os humanos permanecer por muito tempo em um ambiente dissonante em relação às suas crenças.
  • Lemos pontua que tendemos a criar afirmações totalizantes sobre os fenômenos e da dificuldade de pagar o pedágio das conexões das redes. Não é possível, por exemplo, saber o que é a internet no sentido amplo sem aterrar e localizar de qual ponto da internet se refere.

ATA DA AULA 25/03

Notícias 

  • A notícia trazida na aula pelo professor André Lemos foi sobre a utilização de Token Não-Fungível (NFT) em obras de arte digitais devido a sua ligação com a cultura digital e a disciplina;
  • Segundo Lemos, uma escassez artificial é criada com esta tecnologia que por um bem teoricamente substituível (toda cópia de uma imagem digital é idêntica entre si), assim como seu valor agregado.  Com isso, uma originalidade artificiosa é construída pelo código.

Discussão

  • O tema da discussão da aula foi “O que é tecnologia? Mediação” que se desenvolveu a partir do primeiro capítulo do livro “Cibercultura, Tecnologia e Vida Social na Cultura Contemporânea” de André Lemos. O professor apontou para a técnica ou tecnicidade de humanos e outros animais.  
  • Citando Martin Heidegger, Lemos afirma que o homem constrói para habitar. Algumas das civilizações humanas edificaram progressivamente seus artefatos e os acumularam ao longo do tempo. A partir dos objetos técnicos o homem produz sua cultura;
  • A tekhnè (atividade prática) é uma forma artificiosa de lidar com o mundo;
  • Na modernidade o saber prático ou tekhnè se fundiu a ciência constituindo o que entendemos como tecnologia. No século XVII o empirismo da ciência  faz parte do modo de desvelamento da natureza;
  • A manipulação dos artefatos ajudou na evolução do córtex humano fazendo parte da evolução genética e fisiológica da própria espécie. Para Lemos, buscar por uma verdadeira natureza do homem corrompida pela técnica é um exercício pouco produtivo para explicar a cultura humana. Por esta razão, devemos questionar a construção e a constituição das artificialidades e não procurar uma essência velada;
  • Para Lemos, toda mídia é uma forma de “driblar” constrangimentos do espaço e do tempo;
  • De maneira radical, as mídias estendem nosso corpo e consciência. Reafirma-se a ideia de Leroi-Gourhan que “a prótese não é um simples prolongamento do corpo humano, ela é a constituição desse corpo como humano…”. Desde o primeiro hominídeo que construiu o primeiro artefato ou o surgimento do primeiro smartphone em 2007 nos hibridizam com os objetos técnicos. Como sujeitos híbridos devemos politizar e questionar de que forma estamos nos misturando aos artefatos.